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Por que Donovan está fora da seleção dos EUA
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Marcos Peres

 

Julian Green, de 18 anos, ficou com a vaga de Donovan, de 32 - foto: Christian Petersen/Getty Images

Julian Green, de 18 anos, ficou com a vaga de Donovan, de 32 – foto: Christian Petersen/Getty Images

O técnico Jürgen Klinsmann não vai levar o melhor jogador da história dos Estados Unidos para a Copa do Mundo no Brasil. Maior goleador da seleção americana, Landon Donovan não apareceu na lista final de 23 jogadores divulgada nessa quinta-feira. Klinsmann justificou dizendo: “Tenho que decidir o que é melhor para esse grupo hoje, que vai para o Brasil. Penso apenas que há outros jogadores agora um pouco à frente dele (Donovan).”  

Mas o que está nas entrelinhas da convocação final dos EUA diz muito mais do que isso. Klinsmann quer dar experiência internacional a jovens jogadores americanos. Depois de ter sido encurralado entre Alemanha, Portugal e Gana, no difícil grupo G do mundial desse ano, o treinador dos Estados Unidos decidiu iniciar o trabalho que vai se estender até a Copa do Mundo da Rússia, daqui a quatro anos. E, para tanto, preteriu alguns jogadores fundamentais nas eliminatórias da Copa em favor de jovens atletas.

Landon Donovan - foto Christian Petersen/Getty Images

Landon Donovan – foto Christian Petersen/Getty Images

Donovan, de 32 anos, apesar de ser o melhor, não é único jogador experiente a ser dispensado da viagem ao Brasil. O atacante Eddie Johnson, de 30 anos, o zagueiro Clarence Goodson, de 32, e o meia Brad Evans, de 29, também foram surpreendidos. Jürgen Klinsmann decidiu convocar DeAndre Yedlin, de 20 anos, do Seattle Sounders-EUA, John Brooks, 21 anos, jogador do Hertha Berlim-ALE e Julian Green, de 18, recém promovido para o time adulto do Bayern de Munique-ALE. Esses dois últimos, são cidadãos de dupla nacionalidade, Alemanha – Estados Unidos, que Klinsmann convenceu a defenderem os EUA.

Jürgen Klinsmann está cumprindo, à sua forma, a missão que lhe foi dada pela federação americana em 2011, quando assumiu a seleção: iniciar nos EUA uma reciclagem semelhante à que promoveu no futebol alemão entre 2004 e 2006,  quando levou uma jovem seleção da Alemanha ao terceiro lugar na Copa disputada em casa. E, o mais importante, jogando no ataque e causando uma revolução no futebol alemão.

Ao decidir trocar 5 jogadores da base da seleção alemã e promover jovens jogadores ao time titular, Klinsmann foi massacrado no país onde nasceu. Considerado o melhor jogador da Alemanha na Copa de 98, o zagueiro Christian Wörns, do Borussia Dortmund, atacou Klinsmann publicamente em uma entrevista. Aos 34 anos de idade, ele queria liderar a seleção frente à própria torcida. Mas, em vez disso, deu lugar a Per Mertesacker, de apenas 21 anos.

Mertesacker tinha a mesma idade que o atacante Lukas Podolski, 21 anos. Podolski acabou sendo um dos vice-artilheiros da Copa da Alemanha, com 3 gols, ao lado de jogadores como o brasileiro Ronaldo, o argentino Hernán Crespo, e os franceses Zinedine Zidane, e Thierry Henry.

Podolskis e Mertesackers não estão disponíveis nos Estados Unidos na atualidade. Klinsmann sabe como ninguém que seu “pé-de-obra” nos Estados Unidos não é tão qualificado quanto encontrou na Alemanha. E foi por esse motivo que a federação de futebol dos EUA já concedeu ao treinador uma extensão de contrato de quatro anos, até 2018. Sim, até a Copa do Mundo de 2018. Quando Landon Donovan terá 36 anos de idade. E, então, sua convocação muito provavelmente não será tão questionada.


“Bicho” para jogar Copa não é exclusividade do Brasil
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Marcos Peres

Atacante americano Landon Donovan - foto: Danilo Verpa/Folhapress

Atacante americano Landon Donovan – foto: Danilo Verpa/Folhapress

A FIFA vai pagar R$ 83 milhões ao time campeão da Copa do Mundo de 2014. Já as seleções eliminadas na primeira fase do torneio receberão o equivalente a R$ 19 milhões. Seja qual for o desempenho do Brasil, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, afirmou que vai dividir todo o dinheiro a ser recebido da FIFA entre os jogadores e a comissão técnica. “Estamos dando tudo. A CBF não vai ficar com nada”, disse Marin em abril desse ano, segundo o Blog do Boleiro, do Terra Magazine. Caso a seleção brasileira ganhe a Copa, cerca de R$2,5 milhões estarão disponíveis para cada membro da delegação. Porém, a CBF não divulgou quais os critérios para a distribuição de cifras dentro do grupo.

Já os números da seleção dos Estados Unidos são muito mais modestos, assim como as metas dos EUA na Copa. A primeira delas, passar da fase de grupos da competição, na qual vai encarar Alemanha, Portugal e Gana. Cada um dos 23 jogadores que estiverem na lista final do técnico Jürgen Klinsmann para a Copa vai receber uma recompensa mínima de $76 mil dólares, cerca de R$ 168 mil, segundo levantamento da revista Sports Illustrated. Esse número corresponde a R$ 122 mil pela participação na Copa, R$ 12 mil para cada um dos três jogos da primeira fase e mais R$ 3,3 mil por cada amistoso da fase de preparação.

Assim como no caso da seleção brasileira, o bônus para o time americano também será maior à medida em que a equipe avance na Copa do Mundo. Porém, os números finais não foram divulgados. 30 jogadores estão concentrados em Stanford, no estado da Califórnia, disputando as 23 vagas que serão anunciadas por Klinsmann no próximo dia 2 de junho. Os sete jogadores que forem cortados terão que se contentar com $ 3 mil dólares, algo em torno dos R$ 6,6 mil, por três semanas de trabalho na concentração.

R$ 161 mil, a diferença entre fazer ou não parte da lista final de convocados, não teria um grande impacto nas fianças dos principais jogadores dos Estados Unidos, como Clint Dempsey, Michael Bradley ou Landon Donovan, já que todos eles ganham mais de R$ 10 milhões por temporada. Porém, R$ 161 mil correspondem a 70% do salário do lateral-direito DeAndre Yedlin no Seattle Sounders, cerca de R$ 203 mil. Para Yedlin e outros jogadores pré-convocados, a Copa não é apenas uma vitrine para o futuro, como também a oportunidade de entrar na loja e fazer boas compras dentro de dois meses.

Veja os números da premiação anunciada pela FIFA às seleções participantes da Copa do Mundo de 2014:

Campeã: R$ 83 milhões

Vice-campeã: R$ 59 milhões

Terceira colocada: R$ 52 milhões

Quarta colocada: R$ 47 milhões

Quartas de final: R$ 33 milhões

Oitavas de final: R$ 21 milhões

Fase de grupos: R$ 19 milhões


Klinsmann ameaça cortar estrela dos EUA da Copa
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Marcos Peres

Landon Donovan não tem lugar garantido na Copa - foto: Timothy A. Clary / AFP Photo

Landon Donovan não tem lugar garantido na Copa – foto: Timothy A. Clary / AFP Photo

Landon Donovan é o maior goleador da história da seleção de futebol dos Estados Unidos. Mais do que isso, é também o jogador responsável pelo maior número de passes que resultaram em gols da seleção americana em todos os tempos. Porém, Donovan, de 32 anos, está, nesse momento, concentrado em um centro de treinamentos da Califórnia, disputando uma vaga na Copa do Mundo – seria a quarta Copa da carreira – com garotos, como Julian Green, de 18 anos.

Quando o técnico alemão Jürgen Klinsmann anunciar a lista final de 23 jogadores para a Copa do Mundo do Brasil, no próximo dia 2 de junho, Donovan, titular da seleção americana nas últimas três Copas, pode não estar lá. Não que haja jogadores tecnicamente mais qualificados. Ou que Donovan não tenha mais condições físicas para fazer a diferença, aos 32 anos de idade. Klinsmann tem cobrado dele a atitude de Copas passadas.

“A mídia pensa que ele (Donovan) é intocável, que ele tem que estar no Brasil, que tem que ser titular. Mas não é assim que funciona”, disse Jürgen Klinsmann em um documentário exibido pela rede de televisão americana ESPN. “Tenho que tomar decisões baseado no que vejo hoje”, avisou o treinador da seleção.

Jürgen Klinsmann, de 49 anos, criticou Donovan quando o jogador americano mais bem pago da Major League Soccer decidiu tirar um período sabático no ano passado, durante as eliminatórias para a Copa do Mundo. No mês passado, o treinador botou Donovan no banco de reservas, em jogo contra a seleção do México, mesmo sem contar com os jogadores americanos que atuam na Europa para o amistoso. Klinsmann alegou fraco desempenho de Donovan nos treinamentos da seleção. Ao que o jogador respondeu dizendo que vinha sentindo algumas dores no joelho esquerdo.

Landon Donovan tem duas semanas para reverter essa má impressão. Ele foi um dos principais motivos pelos quais Klinsmann decidiu levar os 30 jogadores da pré-convocação para duas semanas de convivência e treinamentos intensivos na Universidade de Stanford, na Califórnia, para só depois anunciar o corte de sete atletas.

“Eu sempre fui direto com ele (Donovan)”, disse Jürgen Klinsmann. “Não há dúvidas sobre o que ele já fez pelo futebol dos EUA, pelo (Los Angeles) Galaxy, antes, pelo San Jose (Earthquakes) ou o que realizou em sua carreira pessoal pela seleção dos Estados Unidos. É fantástico! Ele merece todos os cumprimentos. Mas futebol é o que você faz hoje e o que você poderá fazer no futuro. Nós não estamos construindo um grupo baseados no passado. Estamos montando o grupo baseados no que temos atravessado juntos e no que acreditamos no dia de hoje.''

Desde que assistiu a 59 minutos do empate com o México em 2 a 2 do banco de reservas, Landon Donovan melhorou sua produtividade. Foi o melhor jogador do Los Angeles Galaxy no último jogo antes de se apresentar à seleção, um empate em 1X1 com o time de Portland. “A menos que aconteça um milagre, é minha última chance de fazer parte de algo como isso (Copa do Mundo)”, disse Donovan ao final da partida. “Então, eu realmente quero agarrá-la e estar lá.”

Caso Landon Donovan, principal estrela americana da liga local, seja cortado da seleção, Jürgen Klinsmann viajará para o Brasil carregando uma responsabilidade inimaginável há alguns meses. Sair de um dos grupos mais difíceis da Copa de 2014 sem a ajuda do jogador americano mais talentoso dos anos 2000. Porém, se a “enquadrada” em Landon Donovan surtir o resultado que Klinsmann certamente gostaria que tivesse, talvez Donovan possa se despedir das Copas do Mundo com uma contribuição histórica para os EUA, que têm pela frente Gana, Portugal e Alemanha pelo grupo G do mundial.


Copa-94: A derrota para o Brasil que consagrou uma geração nos EUA
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Marcos Peres

Mazinho dá entrada dura em Marcelo Balboa na Copa de 1994. - foto: Mike Powell/ALLSPORT

Mazinho dá entrada dura em Marcelo Balboa na Copa de 1994. – foto: Mike Powell/ALLSPORT

Marcelo Balboa está no Hall da Fama do futebol nos Estados Unidos. Não por ter sido campeão mundial, mas, entre outras coisas, por quase ter ganho do Brasil quando o futebol profissional não existia nos Estados Unidos, na Copa do Mundo de 1994. “Jogar contra o Brasil no dia 4 de julho (feriado da independência dos EUA) foi absolutamente fantástico”, lembrou Balboa. “Foi um sonho realizado jogar contra o melhor time do mundo e quase, quase operar um milagre!''

Para não fazer feio na Copa do Mundo que iria sediar, a federação dos Estados Unidos contratou 22 jogadores e montou um time para chamar de seleção. Os atletas passaram um ano juntos na Califórnia. O treinador era o experiente sérvio Bora Milutinovic, que já havia dirigido as seleções do México (1986) e da Costa Rica (1990) em Copas do Mundo. Mas os jogadores eram semiprofissionais. “Nós não tínhamos uma liga profissional nos EUA. As portas não estavam abertas para jogadores americanos no exterior, seja na Europa ou na América do Sul'', lembrou Balboa. ''Havia pouquíssimos americanos jogando no exterior. Então, a federação americana chegou à conclusão de que teria que promover uma situação para nos proporcionar a oportunidade de treinar todos os dias, como se fosse um clube.”

Balboa disputa a bola com Zinho - foto: Chris Cole/ALLSPORT

Balboa disputa a bola com Zinho – foto: Chris Cole/ALLSPORT

O entrosamento e a obediência tática dos americanos, adquiridos com essa experiência, ameaçaram verdadeiramente a seleção brasileira nas oitavas de final da Copa de 94. O então lateral Leonardo foi expulso ainda no primeiro tempo do jogo, depois de uma cotovelada violenta no principal jogador dos EUA, o meia Tab Ramos. Os zagueiros Marcelo Balboa e Alexi Lalas se destacaram e ajudaram a seleção americana a evitar um gol brasileiro até os 28 minutos do segundo tempo, quando o atacante Bebeto marcou. Mas a partida contra os EUA foi uma das mais duras da Copa para o time de Carlos Alberto Parreira.

Balboa em ação na histórica vitória sobre a Colômbia - foto: Shaun Botterill/ALLSPORT

Balboa em ação na histórica vitória sobre a Colômbia – foto: Shaun Botterill/ALLSPORT

Apesar da derrota para o Brasil, aquela geração americana já estava consagrada. Chegar às oitavas já era um grande feito. Principalmente depois da vitória totalmente inesperada por 2 a 1 sobre a forte seleção da Colômbia, do talentoso cabeludo Valderrama, de Freddy Rincón e Faustino Asprilla. “Nós celebramos aquele dia como se tivéssemos ganho a Copa do Mundo”, lembrou Marcelo Balboa. “Se você assistir ao jogo, você verá os jogadores correndo com bandeiras americanas e curtindo o momento no qual chocamos a todos, até a nós mesmos”, afirmou o ex-zagueiro que viria a ganhar o apelido de Iron Man – Homem de Ferro, em língua portuguesa.

De fato, aquela campanha mudou as vidas de muitos daqueles jogadores americanos. “Abriu as portas para muitos de nós”, afirmou Balboa. “Alexi (Lalas) foi para a Itália. Eu fui para o México, Mike Sorber e Tab Ramos foram para o México jogar. Abriu muitas portas para nossos jogadores no exterior. E ajudou muitos a se tornarem jogadores profissionais.”

Marcelo Balboa e Alexi Lalas, dupla de zaga dos EUA em 1994 - foto: Simon Bruty/ALLSPORT

Marcelo Balboa e Alexi Lalas, dupla de zaga dos EUA em 1994 – foto: Simon Bruty/ALLSPORT

Marcelo Balboa se divertiu ao contar que grande parte dos torcedores ainda o confundem com seu companheiro de zaga, Alexi Lalas. Embora fossem figuras marcantes em 1994, são completamente diferentes fisicamente. “Algumas pessoas me chamam de Lalas, o que é engraçado. Como esquecer Alexi? Cabelos ruivos longos, enorme cavanhaque, grande personalidade. Nove de dez torcedores me perguntam sobre ele”, contou Balboa, que mantém os longos cabelos pretos aos 46 anos de idade. Lalas se livrou da imagem do “roqueiro rebelde” de antes. “Meu cabelo está um pouco mais curto do que naquela época, mas continua bem comprido”, disse Balboa. “Meu pai me ensinou a seguinte filosofia: Se está crescendo, mantenha, porque um dia não vai crescer mais”, disse às gargalhadas.

Filho de argentinos, Marcelo Balboa vai ao Brasil como comentarista do canal Univisión, rede de televisão em língua espanhola, destinado à comunidade hispana que vive nos Estados Unidos. “Penso que será muito difícil, mas os EUA podem passar da fase de grupos”, analisou Balboa, com otimismo. “Mesmo com Portugal, de Cristiano Ronaldo, Alemanha, com tantos bons jogadores e Gana, com sua técnica e velocidade. E, se conseguirem sair daquele grupo, penso que (os EUA) tenham pego uma chave favorável. Não é como o Brasil, que terá que jogar contra a Espanha, Holanda ou Chile na próxima fase.”

Marcelo Balboa aos 46 anos

Marcelo Balboa aos 46 anos

Balboa vive no frio estado americano do Colorado há oito anos, desde que se tornou um dos fundadores da Major League Soccer, em 1996, ao assinar contrato com o Colorado Rapids. A criação da liga profissional é um legado da Copa de 1994. Nasceu por exigência da FIFA.

O ex-zagueiro hoje ensina futebol para crianças. O time, chamado Trebol, tem 700 jovens de 9 a 18 anos. Está à procura de um garoto que possa dar ao futebol dos Estados Unidos a única coisa que falta, segundo Balboa: “Estamos revelando bons jogadores, mas continuamos a sentir falta daquele “camisa 10”, daquele jogador especial, um Messi, um Cristiano Ronaldo, um Zidane. Não temos um jogador que tenha um grande impacto na Europa.”

“Se você observar o quão popular o futebol tem se tornado nos Estados Unidos, você verá que o potencial aqui é altíssimo, afirmou Balboa. Somos 300 milhões de pessoas e o futebol não pára de crescer. O problema é que nós temos tido dificuldades em formar aquele “camisa 10”. Veja o Uruguai, por exemplo. Há 3 milhões de pessoas no Uruguai e eles formaram Forlán, Suárez, uma extensa lista de bons jogadores na história. Nós continuamos sentindo falta de um “camisa 10”. Se tivermos essa sorte…”


“Vai ser a Copa da paciência” diz técnico dos EUA sobre falta de estrutura
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Marcos Peres

Jürgen Klinsmann prepara o time para a "Copa da paciência" - foto: Florian Eisele/isiphotos.com

Jürgen Klinsmann prepara o time para a ''Copa da paciência'' – foto: Florian Eisele/isiphotos.com

A seleção de futebol dos Estados Unidos já começou a treinar para a Copa do Mundo do Brasil. Seis dias antes de Gana, adversário da estreia da Copa. Cinco dias antes de Portugal, o segundo rival pelo grupo G. Sete dias antes da Alemanha, o último oponente na fase de grupos. Os jogadores do Brasil se apresentarão à seleção doze dias mais tarde, no dia 26 de maio.

O treinador alemão Jürgen Klinsmann tem utilizado o planejamento cuidadoso como ferramenta para dar aos jogadores dos Estados Unidos condições de enfrentar em pé de igualdade adversários mais talentosos e tradicionais. Foi assim que ele se antecipou a algumas das principais seleções do mundo e garantiu o centro de treinamentos do São Paulo F.C., um dos principais do país, como base da seleção americana no Brasil. Porém, planejamento e organização não deverão definir a Copa do Mundo de 2014 a partir de junho. “Não será uma Copa do Mundo perfeita”, afirmou Klinsmann. “Vai ser a Copa do Mundo da paciência”, classificou o treinador dos EUA.

Klinsmann usou como exemplo o precário sistema aeroportuário do Brasil: “Eles (brasileiros) pensam diferente em relação ao tempo”, opinou o alemão. “Enquanto ficamos chateados por ficarmos duas horas sentados esperando por um voo, eles não estão nem mais ficando chateados depois de esperarem seis horas por um voo.”

Antes de embarcar para o Brasil, Jürgen Klinsmann promoverá duas semanas de treinamentos intensos na Califórnia antes de expor o time a três amistosos ainda em território norte-americano, contra a seleção do Azerbaijão, dia 27 de maio, Turquia, no dia primeiro de junho, e Nigéria, do dia 7.

21 dos 30 jogadores americanos convocados participaram do primeiro treinamento da seleção nessa quarta-feira, em Stanford, Califórnia. Os demais atletas serão incorporados ao grupo aos poucos, até o próximo domingo. A partir dessa quinta-feira, haverá dois treinamentos diários fechados ao público. No dia 26 de março, a seleção americana fará o único treinamento com os portões da Universidade de Stanford abertos para os torcedores.

Jürgen Klinsmann pretende promover uma intensa competição entre os jogadores nas próximas duas semanas e meia, antes de anunciar os cortes de sete atletas e fechar o grupo de 23 jogadores para a Copa do Mundo. O treinador alemão vai anunciar a lista final na data-limite estabelecida pela FIFA, o dia 2 de junho.

Os Estados Unidos estreiam na Copa contra Gana no dia 16 de junho, em Natal. No dia 22, enfrentam Portugal em Manaus e, no dia 26, a Alemanha, em Recife.


Magic Johnson responde ataques de magnata racista
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Marcos Peres

O ex-jogador de basquete Magic Johnson, alvo das declarações racistas que acabaram por banir o proprietário do Los Angeles Clippers da NBA, disse que Donald Sterling “está lutando em uma batalha que não pode ganhar” e que o empresário “não pode comprar uma solução pra sair dessa”.

Magic Johnson em entrevista à CNN - Divulgação

Magic Johnson em entrevista à CNN – Divulgação

Em entrevista à rede de televisão CNN, que foi ao ar na noite dessa terça-feira, Magic Johnson respondeu aos ataques de Donald Sterling que haviam sido exibidos no dia anterior. Sterling afirmou que Magic Johnson deveria “se envergonhar” por ter contraído o vírus da AIDS.

“Você espera que um homem como esse seja educado. Ele é dono de um time que tem uma imensa plataforma, com enorme potencial para ajudar a mudar o mundo. Mas ele o está fazendo de maneira negativa”, disse Magic Johnson sobre Sterling, um magnata do ramo imobiliário. “Eu não culpei ninguém mais (por ter contraído o vírus HIV)”, afirmou o ex-jogador. “Eu sei que o que fiz foi errado… Eu tomei uma atitude de homem e declarei ao mundo que tinha a doença. Tinha a esperança de ajudar muitas pessoas fazendo isso. E acho que ajudei (…) Eu falei com muitos jovens que tinham acabado de contrair o vírus HIV e estavam prestes a cometer suicídio” contou o ex-atleta, cuja Fundação Magic Johnson doou $ 15 milhões de dólares para a educação e a prevenção ao vírus HIV.

Magic Johnson, campeão olímpico em Barcelona-1992 e cinco vezes campeão da NBA pelo Los Angeles Lakers, disse ter recebido um telefonema de Donald Sterling sugerindo que os dois participassem juntos de uma entrevista na televisão para resolver o caso, mas que o empresário nunca se desculpou por tê-lo ofendido.

Na entrevista que deu à CNN, Donald Sterling acusou Magic Johnson de jamais ter ajudado a comunidade afro-americana nos Estados Unidos. Johnson considerou essa afirmação mais um desrespeito. “Nesse momento, eu pago bolsas de estudos para 150 jovens”, contou o ex-jogaror. “Mas eu não quero publicidade pelo que faço, não é assim que funciona”, acredita Johnson. “Ele não pode comprar uma solução pra sair dessa. Donald Sterling não será bem-vindo de volta à NBA”, afirmou Johnson.

Donald Sterling se nega a vender o Los Angeles Clippers, como quer o homem forte da NBA, o comissário Adam Silver, e diversos jogadores da liga. Porém, Magic Jonhson deixou uma mensagem para o empresário: “Você está lutando em uma batalha que não pode ganhar… Apenas pegue o dinheiro, se vá e aproveite a sua vida.”


EUA: Time de brasileiro lança logotipo para MLS
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Marcos Peres

Reprodução Twitter

Reprodução Twitter

O Orlando City lançou, nessa terça-feira, nos Estados Unidos, um novo logotipo e a camisa que serão usados na estréia na Major League Soccer, em 2015. O time do proprietário brasileiro Flávio Augusto da Silva vai continuar a vestir roxo. O logotipo, porém, ganhou um leão na cor dourada.

A camisa foi desenvolvida pela Adidas, fornecedora oficial de todas as equipes da MLS. O artista responsável pelo logo é um torcedor do Orlando City. O time tem o apelido de Lions – Leões, em língua portuguesa. O escudo tem um leão cuja juba foi inspirada no sol, em referência ao estado da Flórida, conhecido nos Estados Unidos como Sunshine State – Estado da Luz do Sol. A juba tem, ainda, 21 pontas, em referência ao fato do Orlando City ser o 21º time da liga.

Compare o novo logo ao antigo:

Novo logo - Divulgação

Novo logo – Divulgação

Antigo logo

Antigo logo

 

 

 

 

 

 

O carioca Flávio Augusto da Silva promete contratar um jogador que ele classifica como ''estrela brasileira'' para a estréia da equipe na MLS, que vai acontecer em março do ano que vem.

O clube já iniciou as obras de um estádio de futebol na região central de Orlando, a poucos metros da arena utilizada pelo Orlando Magic, da NBA. O Orlando City SC utilizará o novo estádio na temporada 2016. Em 2015, o time utilizará o estádio Citrus Bowl, uma das arenas utilizadas na Copa do Mundo de 1994, mas que está passando por uma grande reforma e modernização.

 

 


Perfil cultural influencia convocações para Copa
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Marcos Peres

Brasileiros precisam de amor e segurança - foto: Flávio Florido/UOL

Brasileiros precisam de amor e segurança – foto: Flávio Florido/UOL

Treinadores de diversas seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2014 revelam, nessa segunda-feira, as listas preliminares de 30 jogadores convocados para a Copa do Mundo, atendendo ao prazo estabelecido pela FIFA. Porém, o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, preferiu dar nomes à lista final de apenas 23 jogadores já na semana passada.

Os escolhidos vão se apresentar à seleção brasileira no próximo dia 26 de maio, no centro de treinamentos da CBF, na Granja Comary. Oito dias antes do prazo para Felipão enviar à FIFA a convocação final para a Copa do Mundo. Se quisesse, o técnico da seleção poderia, portanto, ter convocado os 30 jogadores da lista preliminar para promover uma semana de intensa competição interna entre os atletas em Teresópolis, como vai fazer, por exemplo, o técnico da seleção dos Estados Unidos, Jürgen Klinsmann.

“Não compartilho dessa idéia (de selecionar 30 jogadores) e depois cortá-los”, afirmou Felipão no dia da convocação para a Copa. Scolari tomou uma decisão baseada nos estudos da psicóloga Regina Brandão, que mostram que jogadores brasileiros se sentem mais confortáveis quando são informados com antecedência, seja sobre a convocação ou mesmo a escalação do time para determinada partida. “É uma situação verdadeiramente cultural”, afirmou Regina em uma rara entrevista concedida ao jornal americano The New York Times. “Eles (brasileiros) são muito mais intensos do que jogadores de outros países, para o bem e para o mal”, contou a psicóloga, que também fez parte da comissão técnica de Felipão na seleção de Portugal, entre 2003 e 2008.

Não coincidentemente, o técnico do México, Miguel Herrera, já anunciou os 23 jogadores da lista definitiva. Enquanto o treinador da Alemanha, Joachim Low, chamou 30. O que mostra uma divisão cultural clara entre latinos e europeus. Nós precisamos nos sentir amados. Eles, desafiados.

Jürgen Klinsmann também utiliza o acompanhamento psicológico como ferramenta para as convocações, desde que enfrentou o desafio de comandar a seleção alemã na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Klinsmann aprendeu que o suspense era motivador para os jogadores alemães. Dar a escalação do time no vestiário, minutos antes da partida, os mantinha altamente motivados. E descobriu, nos últimos três anos, que o mesmo se aplica aos atletas dos Estados Unidos. Ao contrário de Felipão, Klinsmann vai incentivar o clima competitivo entre 30 jogadores em um centro de treinamentos da cidade de Stanford, na Califórnia. “Vai ser uma grande competição por vagas (na seleção)”, anunciou o treinador via Twitter.

“Para nós, técnicos, é muito, muito importante ver cada um deles em cada sessão de treinamentos, em treinamentos coletivos, ao longo de duas semanas e meia, para termos certeza de que realmente os melhores 23 vão viajar para o Brasil”, explicou Klinsmann.


20 anos depois, cotovelada de Leonardo na Copa ainda dói, diz Tab Ramos
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Marcos Peres

Leonardo é expulso após cotovelada em Tab Ramos na Copa de 1994 - foto: Chris Cole/ALLSPORT

Leonardo é expulso após cotovelada em Tab Ramos na Copa de 1994 – foto: Chris Cole/ALLSPORT

No dia 4 de julho de 1994, o cotovelo direito de Leonardo causou lesões no crânio e no maxilar de Tab Ramos. O impacto não foi apenas físico, mas também profissional. Um dos principais jogadores da então semi-profissional seleção dos Estados Unidos, Ramos perdeu o emprego no Betis, da Espanha. E, 20 anos mais tarde, ainda sente dores de cabeça no local do impacto.

“Eu sou fã do Renzo Gracie (ex-lutador brasileiro de MMA, dono da maior rede de academias de jiu-jitsu dos Estados Unidos)”, contou Ramos. “É uma loucura para mim como esses caras (lutadores de MMA) podem tomar tantas pancadas na cabeça. Você fica pensando quão longa será a vida deles e os efeitos que isso poderá causar dez anos mais tarde. Porque eu sei o que sinto. Eu não posso reclamar, porque funciono normalmente. Não tenho nenhum problema mais sério. Mas, às vezes, em certos dias, sinto dores de cabeça bem naquela região na qual tomei a pancada e me sinto enjoado às vezes em função disso.”

David Cannon/ALLSPORT

David Cannon/ALLSPORT

Estados Unidos e Brasil jogavam pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 1994. Tab Ramos puxou a camisa de Leonardo. De costas, o lateral brasileiro respondeu com uma cotovelada violenta, que atingiu a cabeça de Tab. O americano caiu imediatamente no gramado do estádio da Universidade de Stanford, na Califórina. E, de lá, foi diretamente para o hospital.

Leonardo foi expulso ainda no primeiro tempo do jogo. Mesmo assim, o Brasil conquistou a vitória com um gol de Bebeto aos 28 minutos do segundo tempo. O diagnóstico de Tab Ramos ameaçava sua carreira no futebol. Por isso, Leonardo foi excluído da Copa de 94 pela FIFA. Apesar de, aos 47 anos de idade, ainda sentir os efeitos físicos do golpe, Ramos contou que muito maior foi o impacto profissional que aquela pancada gerou.

“Teve um impacto muito grande, porque naquele momento, eu estava jogando pelo Betis, na Espanha. Leonardo jogava pelo Valencia”, lembrou Ramos. “Meu time tinha acabado de subir da segunda para a primeira divisão. Eu estava ansioso por jogar a La Liga pela primeira vez. Porém, depois da contusão, precisei ficar fora do futebol por cinco meses. Outro jogador foi contratado pelo Betis, pegou meu trabalho e eu tive que deixar o clube. Teve um impacto muito grande na minha carreira, porque eu acabei tendo que ser vendido para o México, para o Tigres, do México. Nunca mais joguei na Espanha.”

Stephen Dunn/ALLSPORT

Stephen Dunn/ALLSPORT

Tab Ramos era um dos poucos jogadores americanos que atuavam fora do país. Em 1993, a federação dos EUA contratou quase todos os jogadores da seleção para dedicarem-se integralmente à preparação do time para a Copa de 94 durante um ano e meio, no estado da Califórnia. “Ajudou muito, porque depois de um ano e meio atuando juntos, os jogadores puderam se acostumar ao novo sistema de jogo, conheceram (o treinador sérvio) Bora Milutinovic muito bem e, quando os poucos jogadores que atuavam na Europa se juntaram à equipe, encontramos um time que jogava muito bem junto. Foi fácil para nós nos encaixarmos”, lembrou Ramos.

Atual assistente técnico do treinador alemão Jürgen Klinsmann na seleção americana, Tab Ramos estará em breve no Brasil. Apesar do incidente, ele disse não guardar mágoa alguma de Leonardo. “Não há ressentimentos”, afirmou Ramos. “Leonardo sempre foi muito legal comigo. Depois do incidente, ele foi ao hospital naquela noite em 1994 e se desculpou. Nos tornamos, não diria grande amigos, mas nos tornamos bons colegas desde então. Para dizer a verdade, joguei novamente contra Leonardo um ano mais tarde, pela Copa América, em 1995. E nós trocamos camisas. Então, tenho a camisa dele.”

Nos anos 1990, os EUA não teriam grandes chances de passar da fase de grupos de uma Copa do Mundo cujos adversários sorteados fossem Alemanha, Portugal e Gana. Esse ano, porém, a seleção americana enxerga uma possibilidade: “Nós temos um jogo muito difícil para nós contra Gana na estréia. Mas, para nós, essa não é a estréia, é a final.”, analisou Ramos. “Nós temos uma final contra Gana e, se ganharmos, então teremos uma grande chance de avançar.”

Mike Stobe/Getty Images for New York Red Bulls

Mike Stobe/Getty Images for New York Red Bulls

Como diretor técnico das divisões de base da seleção dos Estados Unidos, Tab Ramos está supervisionando o desenvolvimento das próximas gerações de jogadores americanos. E prevê grandes possibilidades para a partir das Copas do Mundo de 2022 e 2026.  “Está crescendo muito rapidamente. Nós temos muitos talentos nos times de base, especialmente nos mais jovens. Nossas seleções de 14, 15 e 17 anos são muito boas, cheias de talento. Penso que temos um grande futuro”, afirmou Ramos.

“A Copa de 1994 pôs o futebol no mapa desse país”, afirmou Tab Ramos, o primeiro jogador da história a assinar um contrato profissional com a Major League Soccer, em 1996. A criação de uma liga profissional nos EUA foi uma das exigências da FIFA para conceder ao país o direito de sediar a Copa de 1994. “No início, a MLS jogava em estádios de futebol americano e cresceu a ponto de hoje quase todos os times da MLS terem estádios próprios. A maioria dos jogos está lotada de gente e há muita emoção nos jogos. Daqui a dez anos, o futebol vai ser um dos esportes mais importantes desse país. 20 anos atrás, jamais imaginaríamos isso,” afirmou Tab Ramos.

 


Brasileiros não são mais coadjuvantes na NBA
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Marcos Peres

Nene Hilario e Tiago Splitter conseguiram algo memorável na temporada 2013/2014 da NBA. Não só disputam as semifinais de conferência da principal liga de basquete do mundo. Têm destaque, reconhecimento. Enquanto o basquetebol do Brasil padece, eles são dois brasileiros titulares, infiltrados entre os atletas/artistas mais impressionantes do planeta. E têm sido fundamentais para o Sun Antonio Spurs e o Washington Wizards. O time de Nene venceu nessa segunda a primeira partida da série melhor de sete jogos, contra o Indiana Pacers. O Spurs, de Splitter, estréia na noite dessa terça-feira, contra o Portland Trail Brazers.

Splitter e Nene - foto: Edward A. Ornelas / San Antonio Spurs

Splitter e Nene – foto: Edward A. Ornelas / San Antonio Spurs

Nene e Splitter desempenham funções distintas – na seleção brasileira, seriam complementares. Apesar de contar com os mesmos 2,11m de altura, Splitter não tem o porte físico de Nene, que não só arremessa bolas na cesta, mas também adversários no chão. Nene é tecnicamente mais completo. Tiago aprendeu a valorizar o que de melhor sabe fazer. É um marcador ágil e inteligente. E ajuda o ataque não só com pontos. É tenaz nos passes.

Tiago Splitter, de 29a anos, que vai disputar mais uma semifinal de conferência como titular do Spurs, a exemplo do ano passado, trabalhou muito nos últimos quatro anos para se adaptar à NBA. Tornou-se um jogador de aplicação tática impressionante, insistentemente eficaz, capaz de tirar os adversários do sério, a ponto de tomar um chute na cabeça do pivô DeJuan Blair, do Dallas Mavericks, nas quartas-de-final.

Splitter foi perfeito contra o craque alemão Dirk Nowitzki, do Mavericks. Nowitzki é um ala-pivô revolucionário. Um dos melhores arremessadores da NBA, ele carregou o time nas costas, ganhando o título da NBA em 2011. Mas não dessa vez. Nos primeiros cinco jogos das quartas desse ano, com Splitter e Nowitzki em quadra, o Spurs fez 20 pontos a mais do que o Mavericks, em 135 minutos jogados. Com Tiago Splitter no banco de reservas e Nowitzki em quadra, o Mavericks marcou 21 pontos a mais do que o Spurs em apenas 54 minutos.

Em forma, Nene Hilario, de 31 anos, tem feito o que sempre se esperou dele na NBA: “Todos os intangíveis”, classificou o técnico do Wizards, Randy Wittman. “Ele pode marcar pontos, pode arremessar, pode bloquear, pode passar, pode driblar, pode defender e a combinação de tudo isso. Quando ele não está lá, você não pode colocar alguém que tem tudo isso”, afirmou o treinador.

Nene tem sido capaz de jogar, em média, 35 minutos nos playoffs. Apesar de não poder contribuir durante os 48 minutos, deixou para trás as limitações físicas dos últimos anos. Pé esquerdo, joelho direito, panturrilha esquerda, tendão de Aquiles do pé direito, pé direito, joelho esquerdo. Essas foram, em ordem cronológica, as contusões que atrapalharam Nene desde que chegou ao Wizards, em 2012.

“Inteiro”, Nene foi capaz de apagar o vibrante pivô Joakim Noah, do Chicago Bulls, nas quartas-de-final da conferência leste. Chegou a marcar, ainda, 24 pontos, com 8 rebotes e 3 assistências no primeiro jogo. E foi consistente pela primeira vez em vários anos. Foi a primeira vez que o time de Washington avançou nos playoffs em nove anos. E Nene foi o principal personagem dessa conquista.

Nene jogou 32 minutos da primeira partida da série semifinal, contra o Indiana Pacers. Fez 15 pontos na vitória do Wizards por 102 a 96. Pegou seis rebotes e somou dois bloqueios.

Nene e Splitter podem até fazer uma “final brasileira” esse ano. Porém, o mais significativo, já conquistaram: Assim como Ânderson Varejão, do Cleveland Cavaliers, os pivôs brasileiros deixaram os dias de coadjuvantes da NBA para trás.