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NBA: Índios pagam anúncio comercial contra racismo
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Marcos Peres

Índios americanos querem mudar nome do time de futebol americano de Washington - Reprodução YouTube

Índios americanos querem mudar nome do time de futebol americano de Washington – Reprodução YouTube

Um anúncio comercial que foi ao ar na noite dessa terça-feira, durante o jogo 3 da final da NBA, entre Miami Heat e San Antonio Spurs, pedia a mudança do nome e do mascote de um dos times de futebol americano mais populares dos Estados Unidos, o Washington Redskins. O motivo alegado foi a discriminação racial.

Os Yocha Dehe Wintun, tribo indígena nativa do estado da Califórnia, pagou por valiosos 60 segundos do intervalo comercial da rede de televisão ABC em sete das principais cidades dos EUA para protestar contra o que acreditam ser uma ofensa racial. O time da capital americana, fundado em 1932, se chama Redskins – “peles vermelhas”, em língua portuguesa – em referência aos indígenas. Um apelido que os líderes das tribos locais consideram uma forma de discriminação pela cor da pele.

“É hora de fazer as pessoas pensarem em dar fim ao ódio usando o esporte como uma ferramenta para dar foco ao racismo”, disse Marshall McKay, presidente do conselho tribal dos Yocha Dehe Wintun, sem revelar quanto os indígenas gastaram com a campanha.

O vídeo, que se chama “Orgulho de ser” foi produzido pelo Congresso Nacional dos Índios Americanos. Nele, os indígenas contam apelidos que têm orgulho de carregar. Ao final, deixam claro que Redskins não é um deles, mostrando um capacete do time de Washington.

Os índios americanos recentemente enviaram aos jogadores da NFL uma carta contendo assinaturas de 75 organizações indígenas, religiosas e de direitos humanos pedindo que os atletas se levantassem contra o nome Redskins, que, segundo a carta, “não honra as pessoas de cor”.

Faz um ano que diversas tribos se manifestam pela mudança do nome do time de Washington. Mas a pressão sobre o proprietário do Redskins, Dan Snyder, aumentou bastante desde que a NBA baniu para sempre da liga o proprietário do time de basquete Los Angeles Clippers, Donald Sterling, por comentários racistas contra os afro-americanos. Snyder, no entanto, já afirmou considerar o nome Redskins uma “medalha de honra”, prometendo nunca mudá-lo.

Dirigentes da NFL e da equipe de Washington repetem insistentemente que não consideram o nome ofensivo. E se apoiam numa pesquisa realizada há dez anos e em cartas recentes de americanos de ascendência indígena que gostam do nome da equipe.


Racista nega proposta de R$ 4,5 bi pelo LA Clippers
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Donald Sterling negou proposta recorde - foto: AP Photo/Danny Moloshok

Donald Sterling negou proposta recorde – foto: AP Photo/Danny Moloshok

O proprietário do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, voltou atrás e se negou nessa segunda-feira a assinar a venda do time de basquete para o ex-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, por $ 2 bilhões de dólares – o equivalente a R$ 4,5 bi -, valor recorde oferecido por uma franquia da NBA.

Apesar da proposta feita por Ballmer ser pelo menos três vezes maior do que o real valor do time, segundo especialistas, Sterling se negou ao assinar os papéis, segundo o jornal USA Today, ao saber que a NBA não retiraria as penas impostas a ele, que foi banido da liga para sempre e multado em $ 2,5 milhões de dólares por comentários racistas revelados em uma gravação telefônica.

“Nós fomos orientados a prosseguir com o processo”, afirmou o advogado de Donald Sterling, Maxwell Blecher. O processo federal pede $ 1 bilhão de dólares (R$ 2,2 bilhões), alegando que a NBA violou direitos constitucionais de Sterling ao se basear em uma gravação telefônica “ilegal” para aplicar-lhe penas severas. Os comentários racistas foram feitos por ele a uma amante.

Os advogados do proprietário do Clippers alegam ainda que a multa de $ 2,5 milhões constitui uma quebra de contrato e que a tentativa da liga de forçar a venda da franquia constitui mais uma violação às leis. “Eu decidi que preciso lutar para defender meus direitos”, diz a nota divulgada pela assessoria de Donald Sterling. “Embora minha posição não seja popular, acredito que meus direitos a privacidade e a preservação dos meus direitos no devido processo não devem ser pisoteados. Eu amo o time e dediquei 33 anos de minha vida à organização”, escreveu Sterling, de 80 anos. “Eu pretendo lutar para manter o time”, completou o magnata do ramo imobiliário.

“Nunca houve uma discussão envolvendo a NBA na qual iríamos modificar a pena do Sr. Sterling de qualquer modo. Qualquer sugestão contrária é completa fabricação”, afirmou o porta-voz da NBA, Mike Bass.

Na gravação telefônica que motivou o escândalo, Donald Sterling fala para a amante Vanessa Stiviano não levar negros aos jogos do Los Angeles Clippers e cita nominalmente o ex-jogador de basquete e campeão olímpico Magic Johnson.


Sono dos jogadores dos EUA é monitorado pela comissão técnica
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Clint Dempsey, atacante dos EUA - foto: Kevin C. Cox/Getty Images

Clint Dempsey, atacante dos EUA – foto: Kevin C. Cox/Getty Images

Para uma seleção como a dos Estados Unidos, número 13 do ranking da FIFA, ser campeã mundial ainda parece um sonho distante. Porém, a comissão técnica dos EUA está monitorando o sono de cada um dos jogadores convocados desde o início da preparação para a Copa do Mundo.

Ao se apresentarem à seleção americana em Stanford, Califórnia, ainda no mês passado, os jogadores ganharam pulseiras que coletam dados sobre os períodos que os atletas passam dormindo ou acordados, o que possibilita a análise da quantidade e qualidade do sono de cada um. Assim, a comissão técnica pôde avaliar os hábitos de cada atleta, procurando corrigir manias que diminuem ou mesmo interrompem o tempo de descanso, como ficar ao computador ou ao telefone celular antes de dormir ou pegar no sono com aparelhos eletrônicos ligados. “O sono pode afetar sua velocidade de reação e sua performance”, explicou o chefe da equipe de preparação física da seleção americana, Masa Sakihana, ao jornal USA Today.

A partir do dia 16 de junho, quando a Copa vai começar de fato para os Estados Unidos, em Natal, em jogo contra a seleção de Gana, as “pulseiras dedo duro” passarão a ser consideradas fundamentais. Os jogadores dos EUA vão viajar aproximadamente 14,5 mil quilômetros só na primeira fase da Copa. Baseados em São Paulo, os americanos vão voar ida e volta entre as cidades de Natal (nordeste do país), Manaus (norte) e Recife (nordeste).

Dormir em aviões não é um bom remédio para a fadiga muscular. A comissão técnica terá, então, acesso aos dados do sono dos atletas para tomar decisões embasadas cientificamente em relação à carga de treinamentos e períodos de regeneração.

Em uma competição curta como a Copa do Mundo, tão importante quanto treinar para enfrentar o próximo adversário é cuidar da recuperação física dos atletas, que precisam estar “prontos para outra” em quatro dias, intervalo entre uma partida e outra.

A companhia que desenvolveu a tecnologia, batizada de Fatigue Science – Ciência da Fadiga, em língua portuguesa – também foi contratada pela seleção alemã, adversária dos EUA na primeira fase da Copa. E não por acaso. O técnico do time americano é o alemão Jürgen Klinsmann, mentor do atual treinador da Alemanha, Joachim Low.

Apesar de controlarem o sono de seus jogadores, Low e Klinsmann não são contrários à prática do sexo durante a Copa do Mundo, ao contrário do técnico do México, Miguel Herrera. “Penso que somos bastante descontraídos na forma como tratamos as coisas”, disse Jürgen Klinsmann ao programa The Soccer Gods, da Fusion TV. “Os familiares deles (jogadores) podem vir a qualquer momento… Cada time e cada nação tratam disso diferentemente, baseados em suas culturas”, afirmou o treinador.


México leva à Copa dez que derrotaram Brasil na final olímpica
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Com Hulk ao fundo, jogadores mexicanos comemoram vitória sobre o Brasil nas Olimpíadas de Londres - foto: Flavio Florido/UOL

Com Hulk ao fundo, jogadores mexicanos comemoram vitória sobre o Brasil nas Olimpíadas de Londres – foto: Flavio Florido/UOL

A seleção do México vai levar ao Brasil dez jogadores medalhistas de ouro nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Representantes do time que bateu a seleção brasileira de Neymar, Thiago Silva, Marcelo, Oscar e Hulk por 2 a 1 na final olímpica disputada no Estádio Wembley, em Londres. O décimo campeão olímpico a ser convocado foi o meia Javier Aquino, do Villareal, da Espanha. Aquino se juntou ao grupo, que se prepara nos Estados Unidos, para substituir Luis Montes, que fraturou a perna direita em amistoso contra o Equador.

O técnico da seleção mexicana, Miguel Herrera, conta com pelo menos um campeão olímpico em cada um dos setores da equipe: O goleiro Corona, os defensores Diego Reyes, Carlos Salcido e Ponce, os meias Héctor Herrera, Marco Fabián e Javier Aquino, os atacantes Giovani dos Santos, Jiménez e Oribe Peralta. “Sabemos o que conseguimos. Escrevemos a história. Fizemos possível o impossível e hoje devemos transmitir isso”, afirmou o atacante Peralta, do América, do México. “Sem dúvida, estamos todos mentalizados em conquistar algo histórico nesse mundial e vamos pelo mesmo caminho”.

Neymar lamenta chance perdida na final Olímpica - foto: AFP PHOTO / DANIEL GARCIA

Neymar lamenta chance perdida na final Olímpica – foto: AFP PHOTO / DANIEL GARCIA

Quando México e Brasil se reencontrarem, no dia 17 de junho, em Fortaleza, pela Copa do Mundo, o grupo brasileiro terá apenas cinco jogadores do time medalha de prata em Londres: Neymar, Thiago Silva, Marcelo, Oscar e Hulk. A convocação do técnico Mano Menezes tinha ainda jovens jogadores que, acreditava-se, estariam na Copa de 2014, como os meias Lucas e Paulo Henrique Ganso e os atacantes Leandro Damião e Alexandre Pato.

O México fará um amistoso contra Portugal, nessa sexta-feira, na região de Boston, Estados Unidos.


Cristiano Ronaldo não pega México em amistoso
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Cristiano Ronaldo faz treino leve nos EUA - foto: Don Emmert/AFP Photo

Cristiano Ronaldo faz treino leve nos EUA – foto: Don Emmert/AFP Photo

Cristiano Ronaldo não vai jogar contra o México no amistoso marcado para essa sexta-feira, na cidade de Foxborough, Massachusetts. O maior goleador da história da seleção portuguesa está se tratando de uma lesão muscular na coxa esquerda e de tendinite no joelho esquerdo. Atual ganhador da Bola de Ouro da FIFA, Ronaldo tem dado apenas corridas leves em volta do gramado do centro de treinamentos do time de futebol americano New York Jets, em Florham Park, nos Estados Unidos.

A duas semanas da estreia de Portugal na Copa do Mundo, a participação de Ronaldo no jogo contra a Alemanha, dia 16, em Salvador, ainda é incerta. Sobretudo se o técnico Paulo Bento se concentrar em ganhar dos adversários mais modestos do grupo G, Estados Unidos e Gana, afim de garantir uma vaga nas oitavas de final.

Ronaldo não atuou no último amistoso de Portugal, contra a Grécia, no sábado passado. Além de Nani e Hugo Almeida, considerados nesse momento prováveis titulares na Copa, Paulo Bento testou ainda os atacantes Eder, do Braga, e Silvestre Varela, do Porto. O jogo terminou empatado em 0 a 0.

Já o treinador do México, Miguel Herrera, vai aproveitar a ausência de Cristiano Ronaldo no amistoso dessa sexta para testar pela primeira vez a escalação com a qual pretende estrear na Copa, contra a seleção de Camarões, no dia 13, em Natal.

“Vamos definir a equipe nos próximos dois dias antes do jogo com Portugal. Será um onze parecido ao que iremos utilizar contra os Camarões, para, assim, terem o máximo de minutos possíveis”, afirmou Miguel Herrera, depois da derrota do México para a seleção da Bósnia em amistoso disputado em Chicago.

Assim como a Croácia, México e Camarões estão no grupo A do mundial, o mesmo do Brasil.


México vai “tirar o pé” em amistosos antes da Copa
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Luis Montes, do México, sofre lesão ao colidir com Castillo, do Equador - Xinhua/Jorge Arciga/NOTIMEX

Luis Montes, do México, sofre lesão ao colidir com Castillo, do Equador – Xinhua/Jorge Arciga/NOTIMEX

Adversários do Brasil no grupo A da Copa do Mundo, os jogadores da seleção do México revelaram que vão evitar bolas divididas com atletas adversários nos últimos amistosos antes da estreia no mundial. Os mexicanos ficaram muito emocionados depois das horríveis fraturas sofridas pelo meia Luis Montes em jogo contra o Equador no último sábado, no Texas, Estados Unidos.

“Temos que levantar a cabeça e seguir em frente. Porém, alertar todo mundo dizendo que temos que evitar lesões”, afirmou o goleiro Guillermo Ochoa. “Nas divididas, você tem que tirar (a perna)”, revelou Ochoa, um dos líderes do grupo, ao portal mexicano El Universal.

Ao revelar o pacto entre os jogadores, Ochoa pediu compreensão aos torcedores mexicanos, já que a seleção talvez não apresente nos dois próximos jogos, contra Bósnia e Herzegovina e Portugal, a intensidade de outras partidas. “Mais do que qualquer outra coisa, (pedimos) é um pouco de compreensão das pessoas e da imprensa, porque não queremos que aconteça o mesmo nas próximas duas partidas de preparação.”

Depois de marcar um belo gol sobre o Equador, no último sábado, Luis Montes dividiu uma bola com o defensor equatoriano Segundo Castillo, que lhe causou fraturas na tíbia e perônio da perna direita, lesões semelhantes às sofridas pelo lutador brasileiro de MMA Anderson Silva. Montes deu lugar ao meia Javier Aquino, do Villareal, da Espanha, no grupo que vai disputar o mundial no Brasil.

O México enfrentará a seleção de Bósnia e Herzegovina nessa terça-feira, em Chicago, e depois Portugal, na próxima sexta, na região de Boston, também nos Estados Unidos. “Temos que jogar o mais fácil possível”, disse Ochoa, “porque o mais importante aqui é o mundial.” O México estreia na Copa no próximo dia 13, em Natal, contra a seleção de Camarões. O confronto com o Brasil está marcado para o dia 17 em Fortaleza.


Time de Nova York contrata espanhol David Villa
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O espanhol David Villa recebe a camisa 7 do NYCFC - Divulgação

O espanhol David Villa recebe a camisa 7 do NYCFC – Divulgação

O atacante espanhol David Villa é o primeiro jogador da história do New York City FC, time de futebol que vai estrear na principal liga dos Estados Unidos, a Major League Soccer, no ano que vem.

Villa, que disputou a última final da Copa dos Campeões da Europa pelo Atlético de Madrid, recebeu nessa segunda-feira a camisa 7 do NYCFC, time que está sendo estruturado em sociedade entre os proprietários do Manchester City, da Inglaterra, e do maior time de beisebol do mundo, o New York Yankees.

''É um outro continente, um outro país, outro tipo de futebol. Nesse caso, experimentando um maior crescimento do que a Europa. Posso tentar ajudar através dos jogos com gols o crescimento da MLS'', disse o artilheiro em sua primeira entrevista em território norte-americano.

David Villa foi o maior goleador da Espanha campeã da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Com 5 gols, ele foi também um dos artilheiros do Mundial, ganhando a Bola de Prata. Além de ser o maior goleador da história da seleção espanhola, com 56 gols em 94 jogos, Villa ganhou também a Eurocopa de 2008 com a seleção espanhola, sendo o artilheiro do torneio com 4 gols marcados.

Villa pode reforçar o Manchester City durante alguns meses antes de se juntar ao time de Nova York, já que a temporada 2015 da MLS começará apenas no próximo mês de março. O próximo grande nome a ser anunciado pelo time de Nova York deve ser o do meia inglês Frank Lampard, que já teria aceitado a oferta para deixar o Chelsea, da Inglaterra.

Aos 32 anos, David Villa está em grande fase. Marcou 15 gols na atual temporada e deve fazer parte do elenco da Roja que vai tentar o bicampeonato mundial na Copa do Mundo do Brasil.

''No avião, indo para os EUA, minha próxima casa'', escreveu David Villa no Twitter nessa segunda pela manhã. ''Um rápido olá para todos os novaiorquinos! Espero que torçam por mim na Copa do Mundo''.


Maracanaço não foi a maior surpresa da Copa de 50
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Joe Gaetjens, dos EUA, é carregado pela torcida brasileira em Belo Horizonte

Joe Gaetjens, dos EUA, é carregado pela torcida brasileira em Belo Horizonte

Uma grande surpresa aconteceu na primeira fase da Copa do Mundo de 1950. Uma zebra tão inacreditável, que alguns jornais internacionais da época inverteram o resultado do jogo. Não se chamou Maracanaço, porque não ocorreu no estádio do Maracanã, mas no Estádio Independência, em Belo Horizonte. O time mais temido pela seleção brasileira antes da Copa começar não era o Uruguai, mas a Inglaterra. Porém, os inventores do futebol não passaram da primeira fase do mundial. E os grandes responsáveis pela eliminação dos ingleses foram os jogadores amadores da seleção dos Estados Unidos, reunidos poucos dias antes da viagem para o Brasil.

No dia 29 de junho de 1950, 13 mil brasileiros superlotaram o Estádio Independência para pressionar a Inglaterra. E testemunharam o inacreditável. “A Inglaterra e o Brasil eram os favoritos para chegar à final da Copa. Se nós batêssemos a Inglaterra, eles estariam praticamente fora da competição. Então, os torcedores brasileiros estavam conosco, especialmente depois que marcamos o gol”, contou Walter Bahr, meia da seleção dos Estados Unidos na Copa de 1950. Ao final do jogo, com a vitória dos EUA por 1 a 0, a torcida brasileira “correu para o gramado e levantou Joe (Gaetjens, autor do gol) nos ombros e desfilou com ele ao redor do campo”, lembrou Bahr.

Joe Gaetjens assina a bola do gol sobre a Inglaterra

Joe Gaetjens assina a bola do gol sobre a Inglaterra

Nascido no Haiti, Joe Gaetjens mudou-se para Nova York para estudar na Columbia University e passou a trabalhar em um restaurante como lavador de pratos. Ao declarar vontade de se naturalizar americano, Gaetjens foi autorizado pela FIFA a disputar a Copa pelos Estados Unidos. Porém, nunca viria a se tornar cidadão dos EUA. Em vez disso, desapareceu no Haiti em 1963, presume-se, assassinado porque sua família se opôs ao regime do ditador Francois Duvalier.

O gol surpreendente de Joe Gaetjens sobre a Inglaterra nasceu de um chute de Walter Bahr de fora da área. Aos 87 anos de idade, Bahr descreveu o lance que mudou a história da primeira Copa do Mundo realizada no Brasil: “Eu chutei a 25 jardas (cerca de 23 metros) do gol. As fotos mostram o goleiro Williams se movendo para a direita, mas ele foi pego de surpresa por um desvio feito por Joe (Gaetjens). De alguma forma, Gaetjens resvalou na bola apenas o suficiente para desviar a trajetória. O goleiro estava indo para um lado e a bola entrou no outro.” O gol saiu aos 37 minutos do primeiro tempo.

O momento do gol histórico dos EUA

O momento do gol histórico dos EUA

A Inglaterra ainda reconstruía a grande destruição provocada na Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945. O futebol era uma das poucas alegrias da Grã-Bretanha em 1950. Enquanto que nos Estados Unidos, não passava de um esporte praticado por “alguns grupos étnicos”, segundo Walter Bahrs. “Muita gente não sabia o que era a Copa do Mundo (nos EUA), com exceção a alguns grupos étnicos”, relatou. Professor de educação física, Bahr teve que largar o emprego para jogar a Copa do Mundo. “Em 1950, quando tivemos a seletiva final para o time, em Saint Louis, eu precisava tirar alguns dias de folga para viajar. E eles disseram que não me liberariam sem contar os dias como faltas. A diretoria da escola me disse: – Você pode viajar para Saint Louis, mas o seu emprego não estará aqui quando você voltar”, contou Bahr, que disse não se arrepender.

Enquanto o atacante Clint Dempsey, jogador americano mais bem pago da atualidade, recebe $6,7 milhões de dólares (R$15 milhões) por temporada, Walter Bahr ganhava $15 dólares por jogo em 1950, “apenas para cobrir as despesas”, contou. Segundo Bahr, a organização da primeira Copa realizada no Brasil foi impecável. “A organização foi muito boa. Tudo de primeira. Campo de treino, estádios, acomodações. A federação brasileira organizou tudo da melhor forma possível. Não há nada negativo pra se dizer.”

Menos de três semanas depois de fazer a alegria dos brasileiros, ajudando a tirar a Inglaterra do caminho da seleção, os jogadores americanos receberam a notícia de que o Brasil havia sido derrotado na final da Copa pelo Uruguai em pleno Estádio do Maracanã, por 2 a 1. Porém, o “Maracanaço” não surpreendeu Walter Bahr. “Nós sabíamos que os times que estavam lá (na Copa) eram melhores do que se pensava. Uruguai e Chile tinham bons times. Inglaterra tinha um grande time. Todos esses eram times favoritos para chegar entre os quatro melhores. Aquilo abriu os olhos das pessoas, mas para os jogadores que estavam lá não foi uma surpresa”, disse Bahr.

“Haverá muitas zebras na próxima Copa do Mundo também”, previu Walter Bahr. “Penso que o time brasileiro e os principais times da América do Sul e da Europa estão sujeitos a isso. Haverá grandes jogos, com certeza.”

EUA na Copa de 1950. Walter Bahr é o primeiro jogador em pé, da esquerda para a direita

EUA na Copa de 1950. Walter Bahr é o primeiro jogador em pé, da esquerda para a direita

Aquela vitória heróica dos Estados Unidos sobre a Inglaterra nada repercutiu em território norte-americano nos anos 1950. “Das reportagens enviadas do Brasil contando o nosso jogo contra a Inglaterra, algumas diziam que a Inglaterra havia vencido por 10 a 1. Muitos jornais não deram coisa alguma. Houve muito pouca cobertura depois daquilo. A única pessoa que me encontrou no aeroporto foi a minha esposa”, contou Walter Bahr. O casal, que vive na cidade de Filadélfia, teve quatro filhos. “Mas sou o único que jogou futebol na família. E foi por causa da vizinhança onde cresci”, relatou o professor aposentado.

Porém, à medida em que o futebol se populariza nos EUA, mais e mais pessoas descobrem o feito de Bahr, Gaetjens, Frank Borghi, um jogador profissional de beisebol que decidiu ser goleiro de Copa do Mundo. “Durante 25 anos, dei duas ou três entrevistas no máximo”, contou Bahr, um dos dois titulares dos EUA que continuam vivos. “À medida em que a Copa do Mundo ganha importância e passa a atrair mais dinheiro, popularidade e publicidade, hoje, a cada Copa do Mundo, dou mais entrevistas do que na Copa anterior”, afirmou Bahr, que entrou para o Hall da Fama do futebol dos EUA em 1976 por uma vitória histórica na primeira Copa do Mundo disputada no Brasil.


Copa começou nos EUA para 10 seleções
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Adversário do Brasil na Copa, o México, de Rafa Marquez, fará 3 jogos nos EUA - foto Getty Images

Adversário do Brasil na Copa, o México, de Rafa Marquez, fará 3 jogos nos EUA – foto Getty Images

Com a vitória da seleção americana por 2 a 0 sobre o Azerbaijão, nessa quarta-feira, em San Francisco, Califórnia, começou a pré-Copa do Mundo dos Estados Unidos. 10 das 32 seleções que vão disputar o mundial de futebol no Brasil farão, dentro dos próximos dez dias, uma série de 13 partidas amistosas nos EUA.

Diego Costa pode fazer nos EUA único amistoso antes da Copa - foto: REUTERS/Heinz-Peter Bader

Diego Costa pode fazer nos EUA único amistoso antes da Copa – foto: REUTERS/Heinz-Peter Bader

Não se trata de um torneio. Mas dos planos de fortalecimento do futebol no território norte-americano. A série de jogos iniciada pela seleção local vai terminar com um amistoso entre a atual campeã mundial, a Espanha, e El Salvador, no dia 7 de junho, na região da capital do país, Washington. Talvez esse seja o único amistoso a ser disputado pelo atacante brasileiro naturalizado espanhol, Diefo Costa pela Roja antes da Copa. Ele se recupera de uma lesão muscular na perna direita.

A seleção do México, adversária do Brasil no grupo A da Copa do Mundo, jogará nos Estados Unidos os três últimos amistosos antes da estreia no mundial, marcada para o dia 13 de junho, contra a seleção de Camarões. Todos os adversários que o México vai enfrentar nos EUA também estarão na Copa: Equador, Bósnia e Herzegovina e Portugal.

Série de amistosos nos EUA foi batizada de Road to Brazil "Estrada para o Brasil" - Divulgação

Série de amistosos nos EUA foi batizada de Road to Brazil ''Estrada para o Brasil'' – Divulgação

México e Equador se enfrentarão nesse sábado, em Arlington, Texas. Um jogo que o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, deve analisar meticulosamente. Outras seleções que farão dos Estados Unidos a última escala antes do embarque para o Brasil são: Honduras, Nigéria, Costa do Marfim e Grécia. Essas últimas duas seleções são possíveis adversárias do Brasil nas quartas de final da Copa.

Espalhadas por diversos pontos do país, as seleções da Copa não vão apenas medir forças, como também enfrentarão seleções convidadas, como Turquia, Bolívia, El Salvador e Israel.

Veja a lista dos 13 amistosos a serem disputados nos EUA antes da Copa. Seleções classificadas para o Mundial estão em negrito:

O México nos EUA:

31 de maio – México X Equador – Arlington, TX – AT&T Stadium

3 de junho – México X Bósnia e Herzegovina – Chicago, IL – Soldier Field

6 de junho – México X Portugal – Foxborough,  MA – Gillette Stadium

A seleção dos EUA:

27 de maio – Estados Unidos 2X0 Azerbaijão – San Francisco, CA – Candlestick Park

1 de junho – Estados Unidos X Turquia – Harrison, NJ – Red Bull Arena

7 de junho – Estados Unidos X Nigéria – Jacksonville, FL – EverBank Field

Demais seleções da Copa nos EUA:

29 de maio – Honduras X Turquia – Washington D.C. – RFK Stadium

30 de maio – Bósnia e Herzegovina X Costa do Marfim – St. Louis, MO – Edward Jones Dome

1 de junho – Honduras X Israel – Houston, TX – BBVA Compass Stadium

3 de junho – Grécia X Nigéria – Chester, PA – PPL Park

4 de junho – Costa do Marfim X El Salvador – Frisco, TX – Toyota Stadium

6 de junho – Grécia X Bolívia – Harrison, NJ – Red Bull Arena

7 de junho – Espanha X El Salvador – Landover, MD – FedEx Field

 


Cortado da Copa, Donovan quebra recorde de gols nos EUA
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"O momento em que Landon Donovan fez história" - Reprodução: LAGalaxy no Twitter

''O momento em que Landon Donovan fez história'' – Reprodução: LAGalaxy no Twitter

Três dias após ter sido cortado da delegação dos Estados Unidos que jogará a Copa do Mundo no Brasil, Landon Donovan marcou dois gols pelo Los Angeles Galaxy contra o Philadelphia Union e se tornou o maior goleador da história da liga americana, a Major League Soccer, com 136 gols. “Eu me sacrifiquei muito para estar na posição que estou hoje. Fiquei muito feliz por mim mesmo”, afirmou Donovan, que deixou o campo aplaudido de pé pela torcida na Califórnia.

O melhor jogador de futebol da história dos Estados Unidos não marcava um gol desde 6 de outubro de 2013. Esse foi um dos motivos que fizeram o técnico Jürgen Klinsmann afirmar tê-lo cortado porque precisava “tomar decisões baseado no presente” e não no passado de Landon Donovan.

Donovan deixou a concentração da seleção americana dizendo discordar da decisão de Klinsmann. “Baseado em minhas performances antes dos treinamentos (da seleção), baseado em minha preparação para os treinamentos, baseado em minha forma física, baseado em meu volume de trabalho, baseado na forma com que treinei e joguei na concentração, eu não só achei que faria parte dos 23 (convocados), como achava que estava cotado para ser titular. É por isso que estou desapontado”, declarou Donovan no treino que antecedeu a vitória do Galaxy por 4×1 sobre o Union.

Após o jogo no qual se isolou na artilharia da MLS com 136 gols, superando o jamaicano Jeff Cunningham, que deixou a liga em 2011 com 134 gols, Donovan desabafou: “Eu já vinha jogando muito bem. Me senti bem durante os treinamentos (da seleção) sobre como as coisas estavam acontecendo. E pensei que marcaria um gol logo. Só não sabia que seria tão logo, já nesse jogo. Mas fiquei muito feliz por marcar.”

“Foram três dias emotivos. Muitos altos e baixos, para ser honesto… Estou muito feliz que essa semana tenha terminado desse jeito,” disse Donovan. Incontáveis mensagens tomaram conta das redes sociais nos Estados Unidos parabenizando o camisa 10 do Galaxy. E muitas delas incluíram críticas ao técnico da seleção.

Um dos milhares de torcedores que cobraram Klinsmann via Twitter:
“Donovan, parabéns por se tornar o maior goleador da MLS em todos os tempos! Klinsmann, por favor anote… Acho que você tem 23 jogadores melhores!”

Brad Guzan, goleiro convocado para a Copa do Mundo:

“Parabéns a Donovan pelo recorde de gols da MLS!!!” 

Federação de Futebol dos EUA:
“Parabéns a Donovan por quebrar o recorde de gols da MLS!”

Abby Wambach, bicampeã olímpica e maior artilheira da história da seleção feminina dos EUA:

“Um enorme parabéns a Donovan por quebrar o recorde. Verdadeiro campeão e uma prova do seu caráter! #Classe”