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Arquivo : maio 2014

Perfil cultural influencia convocações para Copa
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Marcos Peres

Brasileiros precisam de amor e segurança - foto: Flávio Florido/UOL

Brasileiros precisam de amor e segurança – foto: Flávio Florido/UOL

Treinadores de diversas seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2014 revelam, nessa segunda-feira, as listas preliminares de 30 jogadores convocados para a Copa do Mundo, atendendo ao prazo estabelecido pela FIFA. Porém, o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, preferiu dar nomes à lista final de apenas 23 jogadores já na semana passada.

Os escolhidos vão se apresentar à seleção brasileira no próximo dia 26 de maio, no centro de treinamentos da CBF, na Granja Comary. Oito dias antes do prazo para Felipão enviar à FIFA a convocação final para a Copa do Mundo. Se quisesse, o técnico da seleção poderia, portanto, ter convocado os 30 jogadores da lista preliminar para promover uma semana de intensa competição interna entre os atletas em Teresópolis, como vai fazer, por exemplo, o técnico da seleção dos Estados Unidos, Jürgen Klinsmann.

“Não compartilho dessa idéia (de selecionar 30 jogadores) e depois cortá-los”, afirmou Felipão no dia da convocação para a Copa. Scolari tomou uma decisão baseada nos estudos da psicóloga Regina Brandão, que mostram que jogadores brasileiros se sentem mais confortáveis quando são informados com antecedência, seja sobre a convocação ou mesmo a escalação do time para determinada partida. “É uma situação verdadeiramente cultural”, afirmou Regina em uma rara entrevista concedida ao jornal americano The New York Times. “Eles (brasileiros) são muito mais intensos do que jogadores de outros países, para o bem e para o mal”, contou a psicóloga, que também fez parte da comissão técnica de Felipão na seleção de Portugal, entre 2003 e 2008.

Não coincidentemente, o técnico do México, Miguel Herrera, já anunciou os 23 jogadores da lista definitiva. Enquanto o treinador da Alemanha, Joachim Low, chamou 30. O que mostra uma divisão cultural clara entre latinos e europeus. Nós precisamos nos sentir amados. Eles, desafiados.

Jürgen Klinsmann também utiliza o acompanhamento psicológico como ferramenta para as convocações, desde que enfrentou o desafio de comandar a seleção alemã na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Klinsmann aprendeu que o suspense era motivador para os jogadores alemães. Dar a escalação do time no vestiário, minutos antes da partida, os mantinha altamente motivados. E descobriu, nos últimos três anos, que o mesmo se aplica aos atletas dos Estados Unidos. Ao contrário de Felipão, Klinsmann vai incentivar o clima competitivo entre 30 jogadores em um centro de treinamentos da cidade de Stanford, na Califórnia. “Vai ser uma grande competição por vagas (na seleção)”, anunciou o treinador via Twitter.

“Para nós, técnicos, é muito, muito importante ver cada um deles em cada sessão de treinamentos, em treinamentos coletivos, ao longo de duas semanas e meia, para termos certeza de que realmente os melhores 23 vão viajar para o Brasil”, explicou Klinsmann.


20 anos depois, cotovelada de Leonardo na Copa ainda dói, diz Tab Ramos
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Marcos Peres

Leonardo é expulso após cotovelada em Tab Ramos na Copa de 1994 - foto: Chris Cole/ALLSPORT

Leonardo é expulso após cotovelada em Tab Ramos na Copa de 1994 – foto: Chris Cole/ALLSPORT

No dia 4 de julho de 1994, o cotovelo direito de Leonardo causou lesões no crânio e no maxilar de Tab Ramos. O impacto não foi apenas físico, mas também profissional. Um dos principais jogadores da então semi-profissional seleção dos Estados Unidos, Ramos perdeu o emprego no Betis, da Espanha. E, 20 anos mais tarde, ainda sente dores de cabeça no local do impacto.

“Eu sou fã do Renzo Gracie (ex-lutador brasileiro de MMA, dono da maior rede de academias de jiu-jitsu dos Estados Unidos)”, contou Ramos. “É uma loucura para mim como esses caras (lutadores de MMA) podem tomar tantas pancadas na cabeça. Você fica pensando quão longa será a vida deles e os efeitos que isso poderá causar dez anos mais tarde. Porque eu sei o que sinto. Eu não posso reclamar, porque funciono normalmente. Não tenho nenhum problema mais sério. Mas, às vezes, em certos dias, sinto dores de cabeça bem naquela região na qual tomei a pancada e me sinto enjoado às vezes em função disso.”

David Cannon/ALLSPORT

David Cannon/ALLSPORT

Estados Unidos e Brasil jogavam pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 1994. Tab Ramos puxou a camisa de Leonardo. De costas, o lateral brasileiro respondeu com uma cotovelada violenta, que atingiu a cabeça de Tab. O americano caiu imediatamente no gramado do estádio da Universidade de Stanford, na Califórina. E, de lá, foi diretamente para o hospital.

Leonardo foi expulso ainda no primeiro tempo do jogo. Mesmo assim, o Brasil conquistou a vitória com um gol de Bebeto aos 28 minutos do segundo tempo. O diagnóstico de Tab Ramos ameaçava sua carreira no futebol. Por isso, Leonardo foi excluído da Copa de 94 pela FIFA. Apesar de, aos 47 anos de idade, ainda sentir os efeitos físicos do golpe, Ramos contou que muito maior foi o impacto profissional que aquela pancada gerou.

“Teve um impacto muito grande, porque naquele momento, eu estava jogando pelo Betis, na Espanha. Leonardo jogava pelo Valencia”, lembrou Ramos. “Meu time tinha acabado de subir da segunda para a primeira divisão. Eu estava ansioso por jogar a La Liga pela primeira vez. Porém, depois da contusão, precisei ficar fora do futebol por cinco meses. Outro jogador foi contratado pelo Betis, pegou meu trabalho e eu tive que deixar o clube. Teve um impacto muito grande na minha carreira, porque eu acabei tendo que ser vendido para o México, para o Tigres, do México. Nunca mais joguei na Espanha.”

Stephen Dunn/ALLSPORT

Stephen Dunn/ALLSPORT

Tab Ramos era um dos poucos jogadores americanos que atuavam fora do país. Em 1993, a federação dos EUA contratou quase todos os jogadores da seleção para dedicarem-se integralmente à preparação do time para a Copa de 94 durante um ano e meio, no estado da Califórnia. “Ajudou muito, porque depois de um ano e meio atuando juntos, os jogadores puderam se acostumar ao novo sistema de jogo, conheceram (o treinador sérvio) Bora Milutinovic muito bem e, quando os poucos jogadores que atuavam na Europa se juntaram à equipe, encontramos um time que jogava muito bem junto. Foi fácil para nós nos encaixarmos”, lembrou Ramos.

Atual assistente técnico do treinador alemão Jürgen Klinsmann na seleção americana, Tab Ramos estará em breve no Brasil. Apesar do incidente, ele disse não guardar mágoa alguma de Leonardo. “Não há ressentimentos”, afirmou Ramos. “Leonardo sempre foi muito legal comigo. Depois do incidente, ele foi ao hospital naquela noite em 1994 e se desculpou. Nos tornamos, não diria grande amigos, mas nos tornamos bons colegas desde então. Para dizer a verdade, joguei novamente contra Leonardo um ano mais tarde, pela Copa América, em 1995. E nós trocamos camisas. Então, tenho a camisa dele.”

Nos anos 1990, os EUA não teriam grandes chances de passar da fase de grupos de uma Copa do Mundo cujos adversários sorteados fossem Alemanha, Portugal e Gana. Esse ano, porém, a seleção americana enxerga uma possibilidade: “Nós temos um jogo muito difícil para nós contra Gana na estréia. Mas, para nós, essa não é a estréia, é a final.”, analisou Ramos. “Nós temos uma final contra Gana e, se ganharmos, então teremos uma grande chance de avançar.”

Mike Stobe/Getty Images for New York Red Bulls

Mike Stobe/Getty Images for New York Red Bulls

Como diretor técnico das divisões de base da seleção dos Estados Unidos, Tab Ramos está supervisionando o desenvolvimento das próximas gerações de jogadores americanos. E prevê grandes possibilidades para a partir das Copas do Mundo de 2022 e 2026.  “Está crescendo muito rapidamente. Nós temos muitos talentos nos times de base, especialmente nos mais jovens. Nossas seleções de 14, 15 e 17 anos são muito boas, cheias de talento. Penso que temos um grande futuro”, afirmou Ramos.

“A Copa de 1994 pôs o futebol no mapa desse país”, afirmou Tab Ramos, o primeiro jogador da história a assinar um contrato profissional com a Major League Soccer, em 1996. A criação de uma liga profissional nos EUA foi uma das exigências da FIFA para conceder ao país o direito de sediar a Copa de 1994. “No início, a MLS jogava em estádios de futebol americano e cresceu a ponto de hoje quase todos os times da MLS terem estádios próprios. A maioria dos jogos está lotada de gente e há muita emoção nos jogos. Daqui a dez anos, o futebol vai ser um dos esportes mais importantes desse país. 20 anos atrás, jamais imaginaríamos isso,” afirmou Tab Ramos.

 


Brasileiros não são mais coadjuvantes na NBA
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Marcos Peres

Nene Hilario e Tiago Splitter conseguiram algo memorável na temporada 2013/2014 da NBA. Não só disputam as semifinais de conferência da principal liga de basquete do mundo. Têm destaque, reconhecimento. Enquanto o basquetebol do Brasil padece, eles são dois brasileiros titulares, infiltrados entre os atletas/artistas mais impressionantes do planeta. E têm sido fundamentais para o Sun Antonio Spurs e o Washington Wizards. O time de Nene venceu nessa segunda a primeira partida da série melhor de sete jogos, contra o Indiana Pacers. O Spurs, de Splitter, estréia na noite dessa terça-feira, contra o Portland Trail Brazers.

Splitter e Nene - foto: Edward A. Ornelas / San Antonio Spurs

Splitter e Nene – foto: Edward A. Ornelas / San Antonio Spurs

Nene e Splitter desempenham funções distintas – na seleção brasileira, seriam complementares. Apesar de contar com os mesmos 2,11m de altura, Splitter não tem o porte físico de Nene, que não só arremessa bolas na cesta, mas também adversários no chão. Nene é tecnicamente mais completo. Tiago aprendeu a valorizar o que de melhor sabe fazer. É um marcador ágil e inteligente. E ajuda o ataque não só com pontos. É tenaz nos passes.

Tiago Splitter, de 29a anos, que vai disputar mais uma semifinal de conferência como titular do Spurs, a exemplo do ano passado, trabalhou muito nos últimos quatro anos para se adaptar à NBA. Tornou-se um jogador de aplicação tática impressionante, insistentemente eficaz, capaz de tirar os adversários do sério, a ponto de tomar um chute na cabeça do pivô DeJuan Blair, do Dallas Mavericks, nas quartas-de-final.

Splitter foi perfeito contra o craque alemão Dirk Nowitzki, do Mavericks. Nowitzki é um ala-pivô revolucionário. Um dos melhores arremessadores da NBA, ele carregou o time nas costas, ganhando o título da NBA em 2011. Mas não dessa vez. Nos primeiros cinco jogos das quartas desse ano, com Splitter e Nowitzki em quadra, o Spurs fez 20 pontos a mais do que o Mavericks, em 135 minutos jogados. Com Tiago Splitter no banco de reservas e Nowitzki em quadra, o Mavericks marcou 21 pontos a mais do que o Spurs em apenas 54 minutos.

Em forma, Nene Hilario, de 31 anos, tem feito o que sempre se esperou dele na NBA: “Todos os intangíveis”, classificou o técnico do Wizards, Randy Wittman. “Ele pode marcar pontos, pode arremessar, pode bloquear, pode passar, pode driblar, pode defender e a combinação de tudo isso. Quando ele não está lá, você não pode colocar alguém que tem tudo isso”, afirmou o treinador.

Nene tem sido capaz de jogar, em média, 35 minutos nos playoffs. Apesar de não poder contribuir durante os 48 minutos, deixou para trás as limitações físicas dos últimos anos. Pé esquerdo, joelho direito, panturrilha esquerda, tendão de Aquiles do pé direito, pé direito, joelho esquerdo. Essas foram, em ordem cronológica, as contusões que atrapalharam Nene desde que chegou ao Wizards, em 2012.

“Inteiro”, Nene foi capaz de apagar o vibrante pivô Joakim Noah, do Chicago Bulls, nas quartas-de-final da conferência leste. Chegou a marcar, ainda, 24 pontos, com 8 rebotes e 3 assistências no primeiro jogo. E foi consistente pela primeira vez em vários anos. Foi a primeira vez que o time de Washington avançou nos playoffs em nove anos. E Nene foi o principal personagem dessa conquista.

Nene jogou 32 minutos da primeira partida da série semifinal, contra o Indiana Pacers. Fez 15 pontos na vitória do Wizards por 102 a 96. Pegou seis rebotes e somou dois bloqueios.

Nene e Splitter podem até fazer uma “final brasileira” esse ano. Porém, o mais significativo, já conquistaram: Assim como Ânderson Varejão, do Cleveland Cavaliers, os pivôs brasileiros deixaram os dias de coadjuvantes da NBA para trás.


NBA: Técnico do Clippers derrotou o racismo
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Marcos Peres

Técnico Doc Rivers - foto: Reuters

Técnico Doc Rivers – foto: Reuters

O Los Angeles Clippers estréia nessa segunda-feira na semifinal da Conferência Oeste da NBA contra o Oklahoma City Thunder, depois de uma extenuante e emocional batalha de sete jogos contra o Golden State Warriors nas quartas-de-final. Se a semana mais turbulenta da história do time terminou vitoriosa, foi por mérito do técnico Doc Rivers. Um treinador negro, assim como mais de 80% dos seus jogadores, que se viu obrigado a lidar com os comentários racistas do próprio chefe, o proprietário da equipe, e todo o escândalo que tomou conta dos Estados Unidos depois que eles se tornaram públicos.

Todos queriam ouvir o que Doc Rivers, campeão da NBA em 2008, teria a dizer. O treinador de 52 anos poderia ter se reservado o direito de esperar pelas investigações da NBA antes de se manifestar. Porém, tomou frente da situação no mesmo dia em que a explosiva gravação telefônica foi publicada na internet. “É um comentário pertubador”, afirmou Rivers em uma sessão de treinamentos do Clippers. “Mas temos que estar acima dele nesse momento”. Momento em que o time jogaria a quarta partida da série melhor de sete. Jogo que o Clippers viria a perder naquele final de semana.

A partir daquele momento, o fracasso do time nos playoffs já não seria culpa dele. Porém, Rivers optou claramente pelo sucesso. O profissionalismo, a inteligência emocional prevaleceram sobre as reações emocionais. Enquanto o astro Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, dizia “eu não poderia jogar para ele (Donald Sterling, dono do Clippers)”, Doc Rivers cuidava de botar a cabeça de seus principais jogadores, como o armador Chris Paul, no lugar.

O treinador não só fez uma reunião com os jogadores sobre o assunto, como manteve uma linha de comunicação aberta com cada um deles, afim de discutir suas preocupações e afinar seus objetivos. “Essa situação não vai nos distrair do grande objetivo de seremos campeões”, dizia Rivers diariamente, das mais diferentes maneiras.

Rivers não aprovou o protesto silencioso de seus jogadores, que vestiram do avesso a camisa de aquecimento do time minutos antes do quarto jogo das quartas-de-final da conferência. Porém, não os recriminou. Em vez disso, deu a seus atletas folgas não planejadas anteriormente, antes dos jogos 5 e 6.

Ao final do jogo sete, o mais emocionante da série contra o Warriors, vencido pelo Clippers por 126 a 121, Doc Rivers finalmente extravasou suas emoções, com socos no ar e cumprimentos a todos os seus jogadores.

“Eu precisava extravasar”, contou o treinador. “Foi uma semana dura. Pareciam dois meses. Eu precisava ser capaz de sorrir, rir, aplaudir e ficar orgulhoso de algo. E estava muito orgulhoso dos meus jogadores”, disse Rivers.

O dono do LA Clippers, Donald Sterling, foi banido da liga para sempre. Ainda não se sabe que impacto esse escândalo ainda pode ter para o futuro do time. Porém, o time de Doc Rivers pode entrar para a história do basquete ao ser campeão da temporada 2013/2014 da NBA.


NBA vai vender camisetas contra o racismo
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Marcos Peres

A mensagem "Somos um" é exibida no site do Los Angeles Clippers - Reprodução Clippers.com

A mensagem “Somos um” é exibida no site do Los Angeles Clippers – Reprodução Clippers.com

A NBA vai vender camisetas com uma mensagem contra o racismo estampada no peito: “We are one” – “Somos um”, em língua portuguesa – é o novo Slogan adotado pelo Los Angeles Clippers, depois que o proprietário da equipe, Donald Sterling, foi banido da liga por discriminação racial.

A renda arrecadada com a venda das camisetas será repassada pela NBA para organizações contra a discriminação. A frase, que ficou famosa nos Estados Unidos ao ser postada na página do Clippers na internet imediatamente após o anúncio das punições ao dono da equipe, será estampada nas cores de todas as 30 equipes da liga.

Os produtos estarão à venda a partir do próximo domingo na loja virtual da NBA na internet, na loja da liga em Nova York e no ginásio utilizado pelo Clippers em Los Angeles, o Staples Center.

 


Racismo na NBA: Conversa gravada é “uma de muitas”, afirma responsável
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Marcos Peres

Vanessa Stiviano em entrevista à ABC - Reprodução

Vanessa Stiviano, responsável pela gravação, em entrevista à ABC – Reprodução

Vanessa Stiviano, a mulher responsável pela gravação telefônica que levou o proprietário do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, a ser banido da NBA para sempre, afirmou que a gravação de 15 minutos recheada de ofensas racistas, revelada há uma semana, foi “apenas uma de muitas” conversas entre eles sobre o mesmo tema.

“Houve muitas ocasiões nas quais o Sr. Sterling e eu tivemos conversas como essa. Essa é apenas uma de muitas”, revelou Vanessa Stiviano em entrevista exibida na noite dessa sexta-feira pela rede de televisão americana ABC. “O que o mundo ouviu foram apenas 15 minutos. Há muitas outras horas que o mundo não conhece”, disse Vanessa.

Segundo Vanessa, a gravação que resultou não só no banimento de Donald Sterling da liga de basquete, como também em uma multa equivalente a R$5,6 milhões, foi feita por ela e enviada a alguns amigos. Vanessa, que se descreveu durante a entrevista como negra e mexicana, afirmou que foi um amigo quem “vazou” a gravação para o site TMZ.

Vanessa, que disse ter 31 anos de idade, negou que tenha tido um relacionamento amoroso com Donald Sterling, de 80. Afirmou que trabalhava como assistente pessoal do magnata do ramo imobiliário e que o vê como “uma figura paterna”. Porém, algumas pessoas teriam “envenenado a cabeça e o coração dele dizendo coisas a respeito” dela, o que o teria levado a dizer o que disse.

Durante a conversa que iniciou o escândalo, Sterling reclama de uma foto publicada por Vanessa na rede social Instagram, na qual ela posa ao lado do ex-jogador Magic Johnson:

– “No seu Instagram nojento, você não precisa aparecer andando com pessoas negras”, diz Sterling.

– “E se fosse alguém branco, tudo bem?”, pergunta Vanessa.

– “Eu conheço bem (Magic Johnson) e ele deve ser admirado”, responde Sterling. “Estou apenas dizendo que é péssimo que você não possa admirá-lo privadamente. Admire-o, traga-o aqui, alimente-o, transe com ele, mas não o ponha no Instagram para o mundo ver e me ligar. E não o traga aos meus jogos.”

Apesar das evidências, Vanessa Stiviano disse acreditar que Donald Sterling não seja racista. “Penso que o Sr. Sterling seja de uma geração diferente da minha. Penso que ele tenha sido levado a acreditar nessas coisas (…), segregação, brancos e negros”, ela afirmou. “Mas em suas ações, ele já mostrou que não é racista. Ele se mostrou um homem muito generoso e gentil.”

Vanessa Stiviano enfrenta desde o mês de março uma batalha judicial com a esposa de Donald, Rochelle Sterling, que pede a devolução de $500 mil dólares (R$1,1 milhão), correspondentes aos carros de luxo que o marido teria dado a Vanessa, um apartamento duplex, avaliado em R$ 4 milhões, na região de Beverly Hills, Califórnia, além de outros presentes caros que Sterling teria dado a Vanessa sem o consentimento da esposa.